Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

A REVOLTA CONTRA A LIDERANÇA DE MONDLANE NA FRELIMO E A INVASÃO DO INSTITUTO MOÇAMBICANO POR UMA QUADRILHA DE TERRORISTAS QUE ENQUADRAVA SAMORA MACHEL, JOAQUIM CHISSANO, AURELIO MANAVE, ARRANCATUDO E OUTROS

 

 
A história da Frelimo está repleta de traições, terrorismo não só contra os portugueses, mas, também, contra os seus próprios seguidores e as próprias populações. É uma história repleta de tragédias, pelo que não resisto a publicar o comentário de Francisco Nota Moisés, publicado em Macua.blogs.com a propósito do artigo “FRELIMO – Mais revelações do Inferno (4)."
 
 
“ Confirmo, em grande parte, a historia de Álvaro Teixeira. Não conhecia, porém, a história do furriel Pedro Câmara. Mas Boaventura Pomba das Dividas e o seu companheiro Daniel, cujo nome completo não vou dar aqui por este ainda parecer estar vivo ou estar a viver algures em Moçambique. Eles desertaram do exército português, não se renderam. Recebi Boaventura e Daniel na minha casa em Nairobi. Ajudei-os com comida, outras despesas e financeiramente para irem a Etiópia. Boaventura e Daniel, que não tinham respeito pela maneira de combater dos guerrilheiros da Frelimo, disseram-me que tinham desertado do exército português. Em Nachingwea, Samora Machel acusou-os de terem sido enviados pelos portugueses para matá-lo. Daniel e o seu radiotransmissor do Exército Português apareceram num jornal tanzaniano, acusados que quererem matar Machel. Mas como verdadeiros militares, conseguiram sair da Tanzânia e chegaram em Nairobi.

Quanto ao malogrado Inácio Chondzi, ele viveu comigo na mesma casa em Nairobi antes de ir a Etiópia e depois para Portugal, onde talvez se tenha tornado num agente da Frelimo, por razoes financeiras. Antes daquilo, ele era um pleno revoltado contra a liderança da Frelimo. Ele combateu em Tete e estava destacado para proteger o Segundo Congresso da Frelimo em 1968. Foi ele que, em Nairobi, me deu detalhes sobre a dispersão do congresso e os intensos ataques aéreos portugueses contra o local, embora já tivesse ouvido na Tanzânia muita e toda a coisa sobre a derrocada do congresso em virtude da intervenção aérea portuguesa na mesma semana em que o acontecimento tomou lugar.
UmBhalane tem razão ao dizer que há diferença entre a palavra rendição e deserção. Rendição é quando alguém está derrotado e levanta os braços ou vai ao seu inimigo com a bandeira branca e diz: sim estou derrotado e rendo-me. Deserção é quando alguém deixa o exército por razoes de insatisfação ou vai algures ou mesmo ao seu inimigo, como foi o caso do Arrancatudo, comandante destemido da Frelimo que, depois de desavenças com os seus colegas, foi ao lado dos portugueses a quem revelou segredos sobre as bases da Frelimo, no Niassa, o que permitiu a Forca aérea portuguesa levar a cabo ataques devastadores contra as bases da Frelimo, de acordo com Chico Almeida, comandante da Frelimo falando ao autor no campo de refugiados de Rutamba no sul da Tanzânia. De acordo com Almeida, Arrancatudo viria a morrer numa emboscada da Frelimo quando estava numa coluna militar portuguesa que regressava dum ataque a uma base da Frelimo, no Niassa. Almeida disse-me que Arrancatudo, natural da Zambézia, recebeu um tiro de bazuca no peito e foi o fim dele.
Um pouco sobre o Arrancatudo -- na noite do dia 3 de Março de 1968, Arrancatudo veio atacar-nos no Instituto Moçambicano em Dar Es Salaam. Enquadrado numa unidade de bandidos que incluía Samora Machel, Joaquim Chissano, Aurélio Manave e outros. Os terroristas forçaram-nos a sair dos dormitórios aos pontapés, porradas, socos e gritos impiedosos. Em menos de meia hora, nós, os estudantes passamos mal, humilhados e forçados a alinhar no pátio do Instituto.
Nesta meia hora, o mundo tinha parado para nós e eu não sabia se muitos de nós havíamos de viver ou sobreviver visto que os terroristas estavam armados até aos dentes com pistolas que levavam ate 12 balas cada uma.
A razão do assalto: a revolta dos estudantes contra a liderança do Mondlane e a razão imediata foi motivada porque o Daniel Chatama tinha batido a bem bater em Xadreque, um agente da Frelimo, no seio dos estudantes. Marcela, uma agente dos líderes que veio a ser a esposa do Chissano, telefonou ao seu amante quando Chatama disciplinava Xadreque contra o seu Pide-ismo. Xadreque, Chissano e Chatama tinham sido treinados em conjunto, pelo KGB na União Soviética. Quando o grupo dos terroristas se aproximava, um tal Pedro Kufa (nome da família não verdadeiro, visto que este homem vive na África) gritou em Sena para alertar o Chatama que era o objectivo numero 1 dos terroristas, dizendo: Chissano alikudza, Chissano alikudza (lá vem o Chissano, lá vem o Chissano)....
Como que possuído por espíritos, Chatama removeu a janela do seu quarto e saltou pelas traseiras e pôs-se a correr para a esquadra alertando a polícia que o Instituto estava sendo invadido por líderes da Frelimo. Num abrir e fechar de olhos, a polícia tanzaniana estava no local. Um oficial da polícia prendeu o terrorista Chissano que disse em inglês: "I am a Frelimo leader." O oficial larga-o e agarra o terrorista Machel pela barba. Machel, que não sabia inglês, mas podia entendê-lo porque tinha vivido, como mineiro, na África do Sul onde fora tsotsi (bandido) disse a Chissano: "diga-lhe também que sou dirigente da Frelimo." "He is a Frelimo leader too," disse o bandido Chissano. Então o oficial da policia largou-o, também.
Mal largados, os dois terroristas desapareceram da cena, como gazelas escapadas dum assalto de leões. Arrancatudo e os verdadeiros militares tinham desaparecido quando viram a polícia a chegar. Nos dias que se seguiram, os terroristas Chissano e Machel tiveram que ir comparecer na policia para explicarem os acontecimentos. Samora levou um homem de nome Issa, que no interrogatório de Samora Machel pela polícia, dizia o contrário em Swahili do que Machel dizia em “pretoguês”. Depois daquilo, Issa fugiu de Dar Es Salaam, sabendo que Machel havia de matá-lo por tê-lo mal interpretado e incriminado na policia.
O bandido e terrorista Aurelio Manave, comprido e maciço, que suava massivamente a toda a hora, não teve a mesma agilidade como os outros. Ao aparecimento da polícia, foi se esconder na palha por debaixo dum coqueiro, mas nós retirámo-lo daí e a policia deu aos estudantes plena liberdade de agir contra ele. Assim porradas, pontapés, cuspidelas choveram contra o terrorista que a polícia algemou. E alguém mesmo mijou no Manave. Foi assim marchando, enquanto os estudantes lhe batiam, até a esquadra da polícia, onde foi despido, deixado só em cuecas e “chamboqueado” até que grunhiu com ranho sair-lhe copiosamente das narinas. Um polícia mostrou ao grupo dos estudantes, que gritavam que a justiça fosse feita ao malfeitor, uma pistola que tinha retirado do Manave. Desarmada a pistola, o polícia removeu 9 balas, faltavam 3 balas, o que quer dizer que o terrorista tinha disparado três balas que não atingiram ninguém.
Março de 1968 foi o apogeu da revolta contra a liderança de Mondlane, Chissano, Machel e os demais dirigentes. Dentro de dias lerão aqui os leitores o relato sobre o assalto ao escritório da Frelimo por um grupo de homens e mulheres macondes, armados de catanas, varas, cornos, no dia 11 de Março de 1968. Uma das mulheres levava o seu bebé atrás da sua coluna.”
Francisco Nota Moisés
 
Ovar, 25 de Janeiro de 2010
Álvaro Teixeira (GE)

 


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Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

A HISTÓRIA DE SAMUEL FELIPE MAGAIA, PRIMEIRO COMANDANTE DA GUERRILHA DA FRELIMO, E DE LOURENÇO MATOLA, SEU ASSASSINO

 

Armando Emílio Guebuza

 
Antes que diga algo de importância sobre a história de Samuel Filipe Magaia, tenho que deplorar o facto de que um acto, como a investidura dum Presidente da República, acto augusto algures em países democráticos, tivesse sido aproveitado para insultar Uria Simango, primeiro vice-presidente da Frelimo, que foi morto pela própria Frelimo. Este acontecimento demonstrou dois aspectos deploráveis: o baixo nível das pessoas envolvidas e o baixo nível da inteligência do próprio Armando Emílio Guebuza que admitiu que tal coisa acontecesse. Se Guebuza tivesse a capacidade como deve ser, teria desencorajado que tal uma coisa acontecesse, visto que é sinal de mau gosto e de diabolismo bater numa pessoa morta, que não se pode defender como os ingleses dizem: "dead people tell no stories." Por esta mesma lógica das pessoas mortas não poderem falar, nenhuma pessoa no seu uso de razão e com miolos que funcionam pode julgar num tribunal uma pessoa morta, perder o seu tempo insultando um morto ou alegrando-se sobre uma pessoa morta. Regressando ao assunto que interessa aqui, achei meu dever como uma pessoa de origem moçambicana agora em diáspora,   informar aos moçambicanos, que tem o direito de ouvir uma história que lhes foi sempre ocultada ou que a Frelimo do historiador super mentiroso, Sérgio Vieira, nunca contou.
 
Coronel Sérgio Vieira 
 
Esta é a história do Felipe Magaia, o primeiro comandante das operações da guerrilha da Frelimo. A razão do silêncio sobre ele deve-se ao facto que depois da sua morte traiçoeira, os dirigentes da Frelimo decidiram que não se falasse mais de Magaia. E ai de indivíduos que foram ouvidos falar do Magaia. Um, ou aliás o único, dos sobreviventes dum grupo de 10 guerrilheiros que foram ouvidos a falar do Magaia numa tenda no campo de treinos de Nachingwea, contou-me, com lágrimas nos olhos, como é que os seus nove colegas foram executados com facas nos pescoços, o primitivismo mais rudimentar da Frelimo. Um deles refutava a versão da Frelimo de que Magia tivesse sido abatido em combate com as tropas portuguesas. Pela tarde do mesmo dia, o grupo foi informado por Samora Machel que tinha uma missão especial a cumprir aquela tarde. Transportados em Land-Rovers para o Rovuma, foram feitos atravessar o rio de noite depois de serem amarrados com cordas. Na mata, a meros metros do Rovuma no lado de Moçambique, começou a chacina física. A historia é pois muito longa e limitei me aqui meramente em dar os poucos detalhes contados pelo excapulidor, um individuo do sul que não queria nada ouvir do Mondlane e os lideres da Frelimo. Regressando para traz, eu, o autor, tomei conhecimento da morte de Felipe Magaia em Outubro de 1966 do jornal português, "Noticias da Beira", cujas cópias recebíamos no Seminário de Zobue, Tete, tendo também recebido o jornal quando se chamava "O Diário de Moçambique." E eu lia todas as edições quando chegavam e muito poucos o faziam com a mesma religiosidade como eu. Uma das edições do jornal dizia, que "Felipe Magaia, comandante dos terroristas da Frelimo, foi abatido em Tanzânia num tiroteio entre grupos rivais dos terroristas." Viajando no Malawi para a Tanzânia em Dezembro de 1967, li num boletim da Frelimo, o seguinte e cito a frase,"o camarada Samuel Filipe Magaia tombou num encontro com as tropas portuguesas." Mais tarde um estudante de nome Valentim Elambire disse-me em Dar Es Salaam em 1968 que Magaia não tinha morrido em combate, mas sim tinha sido abatido por um guerrilheiro da Frelimo. O indivíduo falou mais do assunto, sublinhando que Magaia e Machel nunca se davam visto que Magaia considerava Machel como cobarde e medroso. Como aconteceu com o facto do dito Segundo Congresso ter sido dispersado por aviões militares portugueses de que toda a gente falava na Tanzânia dado que alguns dos guerrilheiros que lá estiveram revelaram o segredo, o caso da morte de Magaia era do conhecimento publico no seio dos moçambicanos na Tanzânia, embora um comunicado da Frelimo que o autor leu tivesse falado do tal congresso como tendo sido um grande sucesso pelas eleições que tiveram lugar e que confirmaram o Mondlane no seu cardo, Uria Simango no seu e todos os outros nos seus lugares e pelas resoluções tomadas. O que é historicamente verdade é que a Frelimo nunca diz a verdade quando esta não serve os seus interesses. Sim, Filipe Magaia foi abatido na madrugada do dia 16 de Outubro de 1966 no Niassa quando depois de ter atravessado um riacho com um grupo que comandava para atacar uma posição portuguesa. Magia erguia uma lâmpada na mão para permitir que os seus companheiros atravessassem o riacho quando tiros tilintaram. Por volta de três tiros. Os guerrilheiros aplacaram pensando que tivessem caído numa emboscada portuguesa. O atirador deitou a sua arma depois dos tiros que disparou. Vendo Magaia no chão, os seus colegas acorreram a ele e tentaram ajuda-lo e o homem começou a sangrar copiosamente, visto que uma das balas ou as balas o tinham atingido na barriga. Uma inspecção descobriu que todos tinham as suas armas, excepto Lourenço Matola. Depois de apanhada a arma cujo cano ainda estava quente, os guerrilheiros amarram o Matola e uma decisão de executá-lo no lugar foi tomada, mas uns sugeriram que o Matola devia ser entregue ao governo tanzaniano para que este averiguasse o caso. Depois de entregue o Matola aos Tanzanianos, morre Magaia em Songea onde foi enterrado e durante o enterro Mondlane nomeou Samora Machel para substituir Magaia em vez de nomear Casal Ribeiro que era o vice-comandante da guerrilha. Daí começou a sulisação da liderança da Frelimo. Machel atingiu dois objectivos com um único tiro: suceder Magaia e também tomar a Josina Mutemba, a namorada do Magaia como sua amante que veio a casar por força.
 
 
Samora Machel Josina Muthemba Machel
 
Nas mãos dos tanzanianos, Lourenço Matola é colocado na prisão subterrânea de máxima segurança de Mnazi Moja (significando um coqueiro em Suwahili, embora o lugar que o autor conhece esteja cheio de coqueiros). Os Tanzanianos mantiveram Matola na prisão por cinco anos sem julgamento e as investigações que eles fizeram sobre o caso Magaia nunca foram publicadas. Depois de 5 anos, o Matola é liberto e a Frelimo que lhe tinha prometido uma bolsa de estudos em Moscovo depois de matar Magaia não precisou mais dele, como sempre acontece com as pessoas que são utilizadas para cometer assassínios políticos ou a Frelimo já não precisava dele visto que a sua presença na Frelimo podia causar problemas a Samora Machel. Repentinamente, Matola aparece em Nairobi, Quénia, para se tornar refugiado da Frelimo como tantos outros moçambicanos, incluindo o autor, que se tinham refugiado para lá. Em Nairobi, Matola admitiu que matou Magaia a pedido de Eduardo Mondlane, Samora Machel, Joaquim Chissano e outros na Frelimo. Mas talvez por causa do crime ou em virtude das torturas na prisão tanzaniana, Matola já não regulava bem. Na prisão adquiriu uma careca artificial que se tornou permanente. Em 1989, o infeliz Matola morre em Nairobi depois de ser atropelado por um carro que não parou depois de atropela-lo. Assim morreu, enlouquecido, um dos ícones de traição e da criminalidade, abandonado e não amado por ninguém.
 
Francisco Nota Moisés
 
(Artigo publicado com a permissão de "Moçambique para Todos" Macua.blogs.com)
Ovar, 21 de Janeiro 2010
Álvaro Teixeira (GE)
 

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Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010

FRELIMO - Mais revelações do Inferno (4)

 

 

Matavela passou pelo meu Sector e havia um bom relacionamento com todo o pessoal sob o meu comando. Acompanhei-o até ao último Destacamento que separava Tete de Manica e Sofala, na zona de Changara. Depois segui até ao rio Luenha, dali regressando ao meu Sector.
Ao chegar ao Destacamento de Chioco, então comandado por Damião Phiri, deparei-me com uma operação portuguesa dos Grupos Especiais  Pára-quedistas, que decorria contra as nossas forças; estas demonstraram resistência, contra-atacando e provocando baixas e a rendição de um Furriel de nome Pedro Câmara, um Enfermeiro Cabo de nome Boaventura e um Soldado de nome Daniel.
Como a política da FRELIMO era, teoricamente, de clemência, recebi-os. Traziam o seu armamento com munições, granadas de mão e um rádio de transmissões. Fui com eles até à Base Central da Região, elaborei um relatório e encaminhei-os para o 1º Sector, mais precisamente para a Base Central Provincial. Daí foram enviados para Nachingwea, onde mais tarde vim a saber que foram acusados de serem agentes inimigos que tencionavam assassinar dirigentes da FRELIMO, inclusive, o próprio Samora Machel.
Pedro Câmara foi condenado à pena capital e fuzilado em Cabo Delgado. Os dois outros colegas conseguiram escapar para a Etiópia, onde, segundo consta, o Boaventura foi encontrado morto por ordem da FRELIMO, enquanto Daniel fugiu, conseguindo alcançar Portugal. Um infiltrado da FRELIMO de nome Inácio Chonzi também disse que Daniel fora encontrado morto em Portugal no quarto onde vivia com a sua amante de nome Mabruque, natural da Etiópia.
Este caso dos três desertores do Exército Português constituiu um dos motivos mais importantes que me fizeram abandonar a FRELIMO. O segundo motivo surgiu com a morte de Armando Tivane, meu adjunto.
 

(Excertos de livro a publicar por um ex-comandante da Frelimo)

 

Ovar, 19 de Janeiro de 2010

Álvaro Teixeira (GE) 


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Segunda-feira, 4 de Janeiro de 2010

FRELIMO - Mais revelações do Inferno (3)

 

 

A MORTE DE FILIPE SAMUEL MAGAIA E AS DIVISÕES NA FRELIMO
 Entretanto morreu, assassinado, Filipe Samuel Magaia, chefe do Departamento de Defesa e Segurança da FRELIMO, numa emboscada preparada pela facção de Samora Machel. Foi uma cilada na Província do Niassa, cujo executor foi Lourenço Matola, braço direito de Samora, que baleou Filipe Magaia, quando este tentava atravessar um riacho de madrugada. Lourenço Matola, após o crime, foi entregue à polícia tanzaniana. Nunca foi ouvida por moçambicanos a razão pela qual tinha cometido aquele crime hediondo, apenas Samora, Marcelino, Chissano e o próprio Mondlane sabiam desses motivos.Quando nós, os “Quadros” destacados para aquela missão de abertura de uma frente de guerra, recebemos tal bárbara notícia, tivemos uma queda de moral e a tristeza que se notava em todos os rostos. Não tínhamos outra saída senão a de permanecer com a facção, liderada por Samora Machel, para evitar o confronto entre combatentes.Aceitamos acatar as ordens do criminoso Samora Machel e seu grupo. A partir desse dia começamos a notar alterações no seio das estruturas da FRELIMO até ao 2º Congresso da Organização, realizado na Província do Niassa, Congresso que não foi nada pacifico. Desse Congresso quase surgiram duas FRELIMOS:
·       Uma, ligada a Eduardo Mondlane, Samora Machel, Chissano e Marcelino dos Santos, apoiados por uma facção de militares predominantemente Macondes;
·       Outra, dirigida por Uria Timóteo Simango (Vice-Presidente da “Velha FRELIMO”), apoiado por Nungo, Lázaro Kavandame, entre outros. Era a mais fraca porque a primeira tinha cortado praticamente todos os contactos entre Simango e os combatentes. Vivia em Dar-es-Salaam ou era confinado em Mbeya e por vezes deslocava-se ao estrangeiro.
 Essas duas divisões no seio da FRELIMO, evidentemente, não interessavam a ninguém, já que a luta pelo poder sobrepunha-se à luta pela independência. Foi isto que provocou a morte de Eduardo Mondlane e daí em diante a facção de Samora Machel ganhou mais força do que a de Uria Simango.
Com a morte de Mondlane, começámos a assistir a novas “cenas públicas”. Recordo-me que, quando estive, temporariamente, na Zâmbia em tratamento, após o ferimento que tive no primeiro combate em Tete, Samora apareceu em Lusaka com o seu braço direito, Alberto Joaquim Chissano. Estes começaram a destruir toda a obra de Uria Simango, desde documentos importantes sobre a criação da FRELIMO até às fotografias que se encontravam nas instalações da Organização.
De referir que por causa desses conflitos de luta pelo poder, Casal Ribeiro, que era adjunto de Filipe Magaia, também desapareceu “sem deixar rasto”. Este tinha sido um combatente bem notável. Foi ele que dirigiu as primeiras operações na zona de Mutarara, em Tete, operações que viriam a fracassar devido à falta de material bélico, isto em 1964.
Os crimes praticados dentro da FRELIMO tiveram cumplicidades dos governos Tanzaniano, com Mwalimo Julius Nyerere, e Zambiano, com Kenneth Kaunda, porque era nos territórios destes que eles eram cometidos! Por isso muitos moçambicanos pediram asilo no Kenya, no Uganda ou na Etiópia até aos dias de hoje.
 
(Excertos do livro a publicar)
Ovar, 4 de Janeiro de 2010
Álvaro Teixeira (GE)

Publicado por gruposespeciais às 16:21
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